domingo, 25 de abril de 2010

A FERRO E FOGO e O DILÚVIO (cinco volumes)

A Ferro e Fogo, volumes 1 e 2, representa a primeira Parte da Triologia de Henryk Sienkiewicz sobre as Guerras da República Polonesa no século XVII, seguida pelos três volumes de O Dilúvio, continuação e Segunda Parte da Triologia sobre as terríveis guerras travadas por Poloneses, Ucranianos, Lituanos, Tártaros, Suecos, Alemães, enfim, os vizinhos da pequena grande Polônia.







Henryk Sienkiewicz é prêmio nobel de Literatura de 1905 com "QUO VADIS", autor de narrativa fluente e entusiasmada, permeia as atrocidades da guerra corpo a corpo com o humor delicado e ingênuo, próprio da época. Há também uma linda história de amor, ao estilo dos cavaleiros da Idade Média.


Os personagens, na maioria, são reais. Pesquisei na internet e pude comprovar a sua veracidade. No entanto trata-se de romance histórico, com toques de fantásticos e narrativas mirabulantes. Com as peripécias próprias do romantismo de primeira fase, nacionalismo, honra e amor à Pátria.



Vale a pena ler. Eu indico sem medo.


Devo pedir desculpas, precisarei me afastar para dedicação exclusiva à pesquisa científica. Terei que deixar minhas leituras de lazer para mergulhar em buscas e leituras técnicas. Mas logo que puder voltarei, ou não, nunca se sabe o que haverá após a próxima curva da estrada.
Amo vocês e agradeço o carinho que me dedicaram nestes dois, quase três, anos de contato virtual.

segunda-feira, 5 de abril de 2010


Lembro com saudades dos tempos passados quando escrevia compulsivamente em resposta a todos os sentir da Vida.
Cristina é assim. Menina escritora. Compulsiva no seu dialogar com o Mundo. Vejo-me nela, compassiva no seu penar de artista, pulsando junto à Gáia no ritmo da criação.

Procuro dar-lhe respaldo na sua produção literária existencial.

Qual não foi a minha surpresa ao receber o texto abaixo. Resultado desse encontro antigo com o mais recente fruto de Gáia com o deus homem, somos eu e ela. Mãe e filha cósmica?


Leiam o poema de Cristina Lima e tirem as suas conclusões.

PERDIDA
Cristina Lima


Perdida, estou perdida.
Não é apenas sobre achar o caminho,
É sobre achar a mim mesma,

Olho para trás, vejo tantas de mim.
Olho para dentro... Quem sou?
Shakespeariano isso... “Ser ou não ser”.
O futuro acena da densa névoa, mal posso ver...

Cheguei ao limite,
Sinto paixão, ciúmes, raiva, ansiedade...
Diante de mim um abismo,
Não é a morte, não é o fim, tampouco o começo.

Apareceu na minha vida uma mulher,
Cheia de paradoxos,
Antagônica, convexa e cônica,
De pensamentos em dégradé, esmaecendo na realidade.

Os cabelos de Anália mudam do cinza à púrpura;
Tinge os fios como tinge a vida;
A hora que bem entende!

Eu a olho; Eu me vejo;
Histórias diferentes? Nunca fomos apresentadas.
Sofrimentos empurrados para trás dos cabides,
Eis o mostro do armário;
Joga um beijo pra morte: Hoje não meu bem...
Ainda não...

Quando ela passa, observo,
Sou eu não sou?
Estou perdida de mim...
Logo no sacolejar da cabeça:
Ela é ela! Eu sou eu!

Sua imagem torna-se clara,
A névoa dá uma trégua,
E acena pra mim...

sexta-feira, 2 de abril de 2010

TEMPOS DE PAZ

Preciso escrever.

Desde que aprendi o ofício de me fazer entender pela linguagem escrita, ainda em tenra idade, utilizo-a para externar minhas emoções. É com ela, através dela, da língua escrita, que entendo meu pranto, meu espanto, a dor que faz meu coração doer, ocupando o espaço além do permitido pela anatomia humana dentro do meu peito. A dor que sinto neste momento que me obriga a escrever com as lágrimas ainda saltando de meus olhos já tão doloridos.
O filme me foi indicado pelo dono na locadora. Ele sempre sabe do que vou gostar. Cheguei, depois de um dia de trabalho e chuva em seu estabelecimento e perguntei o que havia de bom para o feriado. Respondeu sorrindo que tinha a certeza que eu gostaria muito de “Tempos de Paz”, filme de Daniel Filho com Tony Ramos e Dan Stulbach (que ator!!!!). Desnecessário falar do Tony Ramos. Como pode um ator saltar impunemente de uma comédia “Se eu fosse Você”, numa interpretação primorosa, para um filme como “Tempo de Paz”? Só com talento, isso é certo.

“Tempo de Paz” trata com delicadeza e muita arte das minhas duas paixões: a língua e o teatro. Portanto é um filme metalingüístico, sensível que provoca o que há de mais profundo no ser humano, a compaixão.


O Dan interpreta um imigrante polonês que precisa convencer o funcionário da Alfândega (Tony Ramos) de que deve ficar no Brasil. Para tanto é desafiado a provocar no homem que está com sua vida nas mãos – um torturador frio e sofrido – as lágrimas da emoção. Daí em diante o filme depende do espectador, da sua sensibilidade e capacidade de se deixar penetrar pelo texto, pela emoção e implodir em prantos. Pelo menos foi o que aconteceu comigo.

Que filme!

Há muito não vivenciava essa catarse. A última vez de que me lembro foi com a cena do Tom Hanks vivendo o aidético que, ao som de Maria Calas, dança e diz o monólogo que lhe deu o Oscar.

Mas “Tempo de Paz” é brasileiro, fala do Brasil nos anos 40, o texto é primoroso, os diálogos entre os dois protagonistas (maior parte do filme) tocam profundamente na alma brasileira.

Preciso dar mais atenção ao cinema brasileiro. Com o personagem Clausewitz, aprendi muito sobre mim, se o que sei fazer é (...) como vou fazer outra coisa? Se há ou não espaço para o que faço paciência, mas é o que faço e o que me faz Feliz.

domingo, 28 de março de 2010

RETORNANDO DO LIMBO

A perda é recente. A dor não diminui. O conhecimento não ajuda. As crenças menos ainda. Então o que resta é a fuga, para dentro de si e para fora do Mundo. O que resta é o pranto insistente que não lhe deixa ver, não permite a leitura, não favorece o sorriso. O que resta é a escuridão da dor.

Assim, apesar de continuar minhas leituras, não tive “saco” de escrever, de dividir com o outro minhas experiências literárias e cinéfilas. Fiquei assim, prostrada, perdida entre caixas de sorvete, a televisão, os jogos na internet e as minhas leituras – porque dessas jamais me separarei – alguns poucos filmes que não merecem um texto. Com exceção de “A Partida”, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2009. Não que dê muita importância para essa premiação política e patética. “Guerra ao Terror” vencer de “Bastardos Inglórios”? Nem sei se foi indicado.
Tarantino se superou, fantástico, um dos melhores filmes que assisti no ano passado. Também gostei de “Avatar”, mas esse jamais ganharia o Oscar, imaginem um filme cujo o herói é um traidor dos EEUU vencer uma premiação totalmente comprometida com a política nacionalista e tacanha estadunidense!

Enfim, a lista de livros lidos de 18 de fevereiro até agora está ao lado, no Box “minhas leituras”. Merece menção apenas o livro “MORCEGOS NEGROS” de Lucas Figueiredo, jornalista mineiro que efetuou uma excelente pesquisa sobre o Caso PC que resultou na narrativa jornalista, porém muito interessante e instigante, do livro.

O filme que merece menção é “A PARTIDA” de Yojiro Takita, que aborda a visão oriental e budista da morte. Maravilhoso, delicado e sem qualquer maquiagem fantasiosa, o filme nos proporciona a oportunidade de refletir sobre a morte. Aliás o meu tema preferido.

Enfim, tenho certeza que minha ausência não foi sentida. Algumas vezes tenho vontade de encerrar este blog, vejo-o pretensioso e particular demais para ser publicado. Mas me permito um escape, uma válvula que nem sempre funciona, mas que considero importante, pelo menos por enquanto.

No momento o que me dá muito prazer é LOST. A série está fantástica. Estou amando. Pena que não tenho muito com quem conversar a respeito. A maioria dos meus conhecidos não assiste e ou não entendem, e a minoria que gosta está atrasada com os capítulos, não viram nem a 5ª.temporada.

É isso, e só isso.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

CAMPEÃ - UNIDOS DA TIJUCA


Finalmente, o Paulo Barros mereceu, afinal foram vários vices campeonatos quando deveria ser o primeirão. Adoro o trabalho desse fantástico carnavalesco. Este ano não acompanhei o desfile em protesto pelos anos nos quais o Paulo Barros foi injustiçado. Ano passado jurei que não iria acompanhar tamanha palhaçada. Acho que dei sorte para o meu querido carnavalesco, vai que fico alí, ansiosa, torcendo e nada....


Faço das palavras do meu querido HOMERO VENTURA as minhas, acrescentando apenas, se me permite o cronista, o sentir do carnavalesco, a delicadeza de sua comunicação de massa, a forma como enaltece a sensibilidade do povo, Paulo Barros não só nos brinda com sua arte, mas diz durante o desfile: nosso povo sabe, nosso povo sente, o carnaval é do povo.

"ALEGRIA

Se você colocar uma letra 'O' entre as letras 'G' e 'R' aí do título, e acrescentar 'HUMANA', você tem o nome de uma invenção do Século XXI. O inventor chama-se Paulo Barros, que tem uma profissão interessante. Cê já imaginou, o cara chegar num banco para preencher uma ficha, a mocinha pergunta: 'Nome?', ele diz 'Paulo Barros', depois 'Profissão?', e o cara, 'Carnavalesco'? Pois é, uma profissão muito restrita. Só uns poucos podem ostentar o título, creio que umas poucas centenas de pessoas no mundo, mas as que mais importam são as que dirigem o Carnaval do Rio de Janeiro, daí, o universo que interessa se restringe a pouco mais de uma dezena. São, na verdade, artistas, com um ano para criar sua arte e 82 minutos para mostrá-la na Avenida. Esse tal de Barros resolveu revolucionar o Carnaval, quando lançou, em 2004, a 'Alegoria Humana', com mais de 100 pessoas simulando um DNA, na Unidos da Tijuca. E ele inovava também nos outros carros alegóricos, e nas fantasias, perfeitamente amarradas ao enredo, mas não levou o título.

Se você trocar a letra 'R' de posição aí do título para antes da letra 'G', você tem o sentimento que eu estava desenvolvendo pelo Carnaval do Rio, na Sapucaí, pois vieram outros anos, outras maravilhas de alegorias, mesmo à frente de outra escola, e nada. O cara ganhava sempre os Estandartes de Ouro, d'O Globo, mas na hora do vamuvê, nada! Via que, seguidamente, aquele novo gênio era preterido pelos jurados que 'entendiam' de carnaval, em prol das escolas tradicionais, com seus enredos normais, suas fantasias comuns, suas alegorias sem graça, enquanto um cara super criativo ficava lá, tendo que se contentar em repetir o seu show no Desfile da Campeãs. Ainda assim, sempre acompanhei os últimos anos (não gosto é de bloco ou baile), fosse pela TV ou ao vivo, na esperança de vê-lo vencedor.

Se você trocar a letra 'G' de posição aí do título para o começo da palavra, e colocar o complemento 'DOS CARNAVALESCOS REVOLUCIONÁRIOS', é aonde o Paulo Barros está, desde 2004, na companhia de Joãozinho Trinta, e uns poucos outros.

Se você não trocar nenhuma letra de posição aí do título, você tem o sentimento que se apossou hoje, quarta-feira de cinzas de 2010, tenho certeza, de grande do povo carioca (ainda que torcedores de outras escolas), e porque não dizer, do povo brasileiro, já que a Sapucaí é o centro das atenções do país nesta época. Finalmente, Paulo Barros conseguiu descobrir como ganhar carnavais, retratando SEGREDOS. O enredo partiu da idéia de um estudante, através do Orkut, que o Paulo Barros, antenado com os tempos modernos, leu, e começou a burilar a cabeça sobre como poderia surpreender de novo. E conseguiu! Retratou o segredo dos ilusionistas na melhor Comissão de Frente que qualquer pessoa de bom senso já viu. Felizmente, os jurados entenderam isso, e deram 5 Dez Nota Dez, mas a diferença foi muito pouca: a Tijuca só livrou dois décimos no quesito, devia livrar um ponto inteiro. Eu fiquei até com vergonha, com pena das outras pobres escolas que vieram depois no primeiro dia, mesmo pela TV, ou no segundo dia, que vi lá na Avenida. A única que chegou perto, com algo mais que uma simples coreografia bonita, foi a Vila Isabel, com aqueles violões multi-uso. A categoria 'Alegorias e Adereços' lhe rendeu outros preciosos, mas parcos, três décimos, afinal os carros alegóricos beiravam a perfeição:
um Abre-Alas pegando fogo, retratando o incêndio da Biblioteca da Alexandria, que guardava muitos segredos;
os misteriosos Jardins Suspensos da Babilônia com 5.000 plantas verdadeiras;
um enorme pergaminho com segredos Mayas;
o segredo das identidades secretas dos super-heróis, retratado por uma rampa de acesso para Spidermen e descenso para Batmen de esqui;
a tão esperada Alegoria Humana, com o pavão negro, símbolo da escola;
e o resto....
Ironicamente, a Alegoria Humana deste ano campeão não foi tão brilhante como todas as outras com que nos brindou, em outros seis anos.
Felizmente, o resto estava mais que brilhante..
Pra terminar, uma declaração do Presidente da Unidos da Tijuca, de antes do desfile, quando perguntado sobre como se sentia quando Paulo Barros chegava com aquelas idéias malucas, ele disse: "Meu papel é conseguir o dinheiro para ele realizaá-las, sem contestação!" ou algo assim...

Sábia decisão!

Homero Curado da Alergia Vent
ura"

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

CARNAVAL 2010

Este ano não foi igual àquele que passou. Continuei trancada em casa, como em todos os carnavais, é muito calor humano para o meu temperamento solitário, no entanto não peguei a montanha de filmes que costumo alugar nessas datas populares. Preferi ler, ir ao cinema e ver televisão - Lost já iniciou a última temporada.... Além das novas temporadas de CSI, CSI New York, NCIS, Criminal Mind e outras. Adoro séries! Mas este é outro assunto, para breve, assim que os mistérios da melhor série desde Friend forem revelados, prometo uma matéria a respeito.


O Filme que assisti por duas vezes foi AVATAR, infelizmente ainda não me sinto apta a qualquer comentário que não caia no lugar comum: maravilhoso, adorei, fiquei em choque, enfim, essas bobagens que dizemos quando estamos sob intenso entusiasmo. Também ficará para depois.

Dei início a leitura de um livro, não vou dizer o título nem o autor, mas não consegui terminar, um horror. Mas como sou benevolente e sempre dou o maior número de chances que minha paciência permite, li até a metade do livro. Então desisti, nada aconteceria, a narrativa girava em torno de sí mesma, sempre repetindo e nada acrescentando. Há autores que acreditam que o número de páginas é um dado de valor na obra. Deixa prá lá!


Foi Gabeira que elevou o nível das leituras de carnaval. "Sinais de Vida no Planeta Minas" é uma obra simples, belíssima e profunda. Utiliza a história que chocou o meado dos anos 70 (lembro-me bem da notícia) da morte de Angela Diniz por Doca, e faz uma merecida homenagem às mulheres das Minas Gerais. Cruza as história de Beja e Chica da Silva com a da Tia Pantera. Nâo é uma comparação, como muitos leitores desavisados poderão entender, trata-se do amor que só nós, alienígenas do planeta Minas pode sentir, o amor pelas montanhas, pelo sotaque (às vezes paulista outras baianos) da tradição, das características únicas de uma sociedade secular alicerçada pela família.

Tenho orgulho de ter minhas raízes nas Gerais, apesar de ter nascido no Rio - um acidente provocado por meu pai rebelde.

Enfim, o calor me enlouqueceu, não dei sorte com os livros escolhidos, mas, mesmo assim, foi melhor que me enfiar na barbárie de centenas de almas suadas, bêbadas e barulhentas.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

sábado, 23 de janeiro de 2010

Paulo Leminski e John Grisham

Certa vez, numa aula de Literatura, falando sobre o Romantismo e a obsessão dos românticos pela Morte, lembrei-me de algumas obras, como Saramago, Clarice e até Pessoa, onde a respeitável senhora era muitas vezes lembrada. No papo informal que caracterizava minhas aulas, compartilhei com aqueles adolescentes a minha visão pessoal da morte. Afirmei que é a minha melhor amiga, pois lembrar sua onipresença e inevitabilidade me dá a verdadeira dimensão da realidade. Com sua presença consigo selecionar melhor os fatos e os sentimentos que realmente merecem a minha atenção, pois diante de Seu toque definitivo todos os problemas, medos e inseguranças desaparecem. Os “meninos” – como eu gostava de chamá-los – ficaram fascinados e compreenderam, ou melhor, sentiram com a força de suas juventudes os românticos e suas obras. Principalmente os do segundo momento, os góticos.

Todo este preâmbulo para falar um pouquinho da minha última leitura.

Antes quero lembrar que há mais de dois anos leio o que “me der na telha”, não tenho mais compromisso com a literatura acadêmica, leio qualquer coisa que me der prazer.

Quero lembrar ainda que a minha penúltima leitura foi uma biografia. Não posso tecer grandes elogios, mas também não quero criticar, até porque levei a leitura até o fim. Talvez mais pelo biografado que pelo biógrafo. Paulo Leminski é realmente uma personagem fascinante. Espero que outras biografias sejam escritas, pois tenho certeza que um autor menos envolvido como Toninho Vaz possa nos trazer mais luzes sobre o pensar, o sentir e o fazer poético leminskiano.



Já a leitura de “A Câmara de Gás” de John Grisham, autor de Best-sellers como “O Dossiê Pelicano” e “O Cliente”, em princípio poderia ser confundida com mais um leve entretenimento – o que não deixa de ser verdade – mas, nas entrelinhas, no que não é dito, verifica-se uma literatura de reflexão interessante. O Homem e suas convicções diante da morte, a tal amiga de quem falei no preâmbulo dessas “mal traçadas linhas”, se transforma e se vê frente à total inutilidade das idéias impostas pelo sistema no qual está inserido. Diante da ilustre senhora, o que realmente é fundamental na natureza humana? O Amor? O outro deixa de ser um estranho?

Uma leitura que, de início seria apenas um “thriller” daqueles de nos fazer perder o sono, transforma-se numa obra de reflexão e pensar.

A obra é bem estruturada, suas 564 páginas encerram quatro semanas, tempo que o condenado no corredor da morte – USM (unidade de segurança máxima) no Mississipi – ainda possui para tentar reverter a condenação de morte pela câmera de gás. Nada é dito na literalidade, nada é dado de graça pelo autor, são duas obras no mesmo livro. A primeira, e mais evidente, é o Best-sellers, o thriller, a narrativa regurgitada, pronta, gerando o leitor passivo. A segunda, não escrita, é esotérica, camuflada nas entrelinhas, requer um leitor ativo, um interlocutor que desenvolva a narrativa com o autor.

É um bom livro. Nesses momentos fico muito frustrada por não saber ler em inglês. A leitura no original deve ser fantástica.

domingo, 10 de janeiro de 2010

MENTIRAS NO DIVÃ



"Mentiras no Divã", de Irvin D.Yalom, autor de "Quando Nietzsche chorou" de "A cura de Schopenhauer".

Na obra Yalom faz uma tentativa de reflexão na prática da terapia analítica. Expõe as fragilidades da terapia, critica a arrogância e desmistifica a figura do terapeuta.
Deixa para o leitor uma nova proposta de terapia, a relação de proximidade entre terapeuta e paciente.
Infelizmente continuo firme na minha rejeição a esse tipo de tratamento existencial, permaneço fiel ao meu terapeuta interior, à minha capacidade de auto análise e discernimento.
Com excessão da frágil qualidade da tradução que em alguns momentos prejudica o entendimento do texto, tornando necessaria nova leitura, a obra se coloca entre as melhores do autor. Só perde para o seu romance de estréia (ou de primeiro sucesso), "Quando Nietzsche chorou", para mim uma leitura inesquecível, não sei se pela incrível atração que sinto pelo filósofo protagonista ou se pela qualidade da obra - incluindo aí a sua tradução. Sinto-me anafalbeta por não ter condições de ler certas obras (exemplos: O Clube Dumas, A Menina que roubava livros, entre outros) no seu original.

domingo, 3 de janeiro de 2010

ANO NOVO - FERIADO DE 4 DIAS


Passei o final de semana prolongado, com minha filha viajando, assistindo os filmes que mais gosto. Foi difícil escolher, alguns seriam para recordar (já os havia visto algumas vezes) outros inéditos (para mim) apesar de conhecer os seus criadores e os diretores.
Com excessão de Wayne Wang, que se mostrou uma surpresa deliciosa. O filme não precisa de muitas palavras, a emoção transborda, a delicadeza e a simplicidade da narrativa enleva nossa alma cansada da vulgaridade e previsibilidade cinematográfica de nossos dias, permeada de tecnologia, monstros, e imagens. Tenho sede de palavras, tenho sede do sentir pleno e total dos artistas.



Carlos Saura, minha grande paixão. Dele escolhi dois filmes já assistidos algumas vezes, "Mamãe faz 100 anos" e "Tango", este último magnífico, que sempre me arrepia e me faz aplaudir sozinha, em casa.

"Mamãe faz 100 anos" é a combinação da vida familiar - que pode ser a de cada um de nós - e a mágia, sempre presente na obra de Saura.

TANGO dispensa comentários. A dança, o enredo, a personagem do diretor do espetáculo, a sensualidade. Tudo é único e saboroso.




Anatomia do Medo consegue nos levar para a viagem surreal atraves do tempo, para uma cultura totalmente diferente da nossa. O medo da Bomba H inunda a mente do patriarca de uma grande familia japonesa e faz com que decida mudar-se para o Brasil, segundo ele o lugar mais seguro do mundo no caso de uma guerra nuclear. Ninguém acredita nele.

Kurosawa, outro diretor com o dom de emocionar, no filme Anatomia do Medo nos dá a dimensão exata das consquências de sucumbir ao pai de todos as fraquezas, o MEDO.

Costa Gravas com o filme "Z", concretiza as imagens que vivencei na leitura do livro. Alimenta nossa revolta, a indignação que sentimos pelo alcance do poder totalitário, que não aceita e pune idéias, sonhos de paz e liberdade. O livro me deixou triste, o filme deu vida à essa tristeza. Jamais seremos livres, jamais haverá paz e harmonia entre os homens, suas vaidades, seus egos enormes e sua baixa auto estima não permitem e nunca deixarão que o discurso pacifista alcance o poder. Quando digo poder sinto a desarmonia da idéia com o discurso, quero dizer: a amplitude da paz apesar do Homem.

O filme "NOSSA MÚSICA" de Godard jogou a última pá de cal nas minhas esperanças. Imperdível, com Godard em cena, no seu próprio papel de escritor e cineasta, torna definitiva a falta de esperanças. O filme é divido em três partes, o INFERNO = GUERRAS que o mundo vivenciou durante toda a existência humana, o PURGATÓRIO = SARAJEVO pós guerra e o PARAÍSO = NATUREZA, mesmo assim patrulhada por marines estadunidenses. Não há como ter esperanças.

Apesar de tudo, ainda acredito no homem, na sua capacidade de recuperação, sua resistencia e sensibilidade.

O filme trata ainda da responsabilidade que a poesia possui em relação ao social.

Se tivesse que indicar um desses, seria NOSSA MÚSICA. Filme incrível e profundo, como toda a produção de Jean-Luc Godard

domingo, 13 de dezembro de 2009

TREM NOTURNO PARA LISBOA


Cada um de nós é vários, é muitos, é uma prolixidade de si mesmos. Por isso aquele que despreza o ambiente não é o mesmo que dele se alegra ou padece. Na vasta colônia do nosso ser há gente de muitas espécies, pensando e sentindo diferentemente. (Fernando Pessoa, Livro do desassossego.)

"[...] Para podermos nos despedir de alguma coisa, pensou, enquanto o trem se punha em marcha, é preciso enfrentá-la de uma forma que gere um distanciamento interior. É preciso transformar essa naturalidade tácita, difusa, que toma conta da gente, em uma clareza que revela o significado de tudo aquilo." p.40



O ato de abraçar um livro após a leitura de suas últimas páginas pode ser traduzido pela necessidade, imperiosa, de manter vivas as palavras. A palavra sentida se perde em segundos, como a sensação da compreensão.

A leitura suave, feita com o sentir, não consegue manter-se no intelecto, lá o material disponível tem efeito contrário, a redução ao entendimento acadêmico.

Decidi, hoje, às 8h45: vou tomar o trem noturno para Lisboa. Expressão idiomática, usada para se referir a alguém que pretende mudar de vida, criada pelo sucesso da obra de Pascal Mercier, pseudônimo de Peter Bieri.

"[...] pensar é a segunda coisa mais bonita. A mais bonita é a poesia. Se houvesse o pensamento poético e a poesia pensante, seria o paraiso." p.352

"[...] a poesia supera tudo ... Anula todas as regras." p.371

e finalmente:

"[...] é preciso aceitar seu próprio kitsch para se libertar." p. 372
Não há outra forma, não há atalhos. Mesmo sabendo como é penoso e quase impossível, é preciso aceitá-lo. Mas para isso é também necessário identificá-lo, e então não perecer sob uma tontura torturante, devastadora do próprio ego.
"[...] Seriam necessárias uma coragem e uma força divinas para que se pudesse viver em perfeita sintonia com a verdade. É o que sabemos, também de nós mesmoss. Não há motivo para presunção." p.452

Não vou desvendar os mistérios da narrativa do nosso condutor nessa viagem às profundezas da alma do leitor. Até porque eu mesma, leitora mediana, mal consigo vislumbrar algumas pistas que logo se perderão na rotina de minha existencialidade medíocre.

O máximo que posso fazer é desejar uma BOA VIAGEM áqueles que se propuserem a enfrentar o desafio de pegar o TREM NOTURNO PARA LISBOA.

EM TEMPO:

"[...] POR QUE TU, ENTRE TODOS?... Ninguém é destinado para o outro. Não apenas porque não existe um destino, mas porque tampouco existe alguém que seja capaz de manipular as vidas a esse nível. Não: acima de tudo porque, entre as pessoas, não existe nenhuma obrigatoriedade que possa transceder as necessidades casuais e o poder dominador do hábito" p.450

terça-feira, 24 de novembro de 2009

ANIVERSÁRIO DE MAMÃE E O GUARDIÃO DA FLOR DE LÓTUS


Hoje seria o aniversário de 80 anos de mamãe, se ela tivesse esperado três dias antes de partir. Mamãe se foi; amiga, companheira, protetora, teimosa, elitista (mesmo sendo pobre). Adorava música clássica, fazia um empadão delicioso, nenhum de nós o esquecerá, nem a família, os amigos ou mesmo as eventuais visitas. Mamãe vaidosa, jamais ia à rua - mesmo que fosse só para atravessa-la e ir na padaria - sem maquiagem ou adequadamente vestida. Mantinha qualquer tipo de conversa, desde política, sobre a qual estava sempre bem informada, como sobre atividades culturais, mamãe amava as artes. Seu sonho era ser pianista. Mas nasceu pobre, filha de uma costureira com um entregador de pão, português. Mesmo assim chegou a estudar, por caridade, com uma professora freguesa da vovó. Acredito que foi aí que seu ouvido musical se aprimorou tanto. Não importava a peça ou a sinfonia, ela sempre sabia quem era o autor. Mamãe detestava vulgaridades, eu a apelidei de "reencarnação da Rainha Elizabeth I da Inglaterra", vivia com o nariz empinado. Mas era doce e dedicada, sempre preocupada com seus filhos. Perdeu o marido aos 58 anos e nunca mais pensou em nada, ficava em casa, curtia os netos e o bisneto.
Mamãe amada por todos, meus amigos que a conheceram, meus irmãos, os netos, as noras, os amigos dos netos, enfim, mamãe vai me fazer muita falta, deixa uma enorme lacuna na minha vida, um vazio sem precedentes até então, um vazio e uma dor que não conhecia. A família agora está orfã, se foi papai e agora mamãe partiu ao seu encontro.


A família nos anos em que não acreditávamos na morte.


Mamãe partiu às 14h35 do dia 21 de novembro. Cinco minutos antes de chegar ao Repouso Santa Teresa, onde estava sendo cuidada. Desde então meu coração bate mais rápido, minha vontade ficou pequena, meu olhar se entristeceu, minha vida parou, estagnou como se não houvesse mais nada a fazer aqui.

Aqueles que me conhecem um pouco sabem que toda a leitura de mundo que efetuo é desencadeada pela literatura. Estava lendo "O Guardião da Flor de Lótus", de Andrés Pascual, um escritor espanhol. Já estava terminando a leitura quando mamãe se despediu da vida. Dopada, com uma carga de 2mg de Rivotril de manhã e outra antes de dormir, não tive ânimo para ler. Só ontem resolvi terminar as últimas páginas do livro que até então estava me despertando tanto interesse. Não vou comentá-lo, transcrevo alguns trechos que marquei e deixo com meus poucos leitores as conclusões, ou melhor, as inferências.

"[...] - Quando alguém próximo morre, você deixa de ser a pessoa que era [...] A morte está muito mais próxima do que as estrelas, mas não queremos vê-la. No entanto acreditamos compreender a distância desses pontos de luz, mesmo sabendo que quando os fitamos eles já deixaram de existir." p.342

"[...] A perda de um ser querido é o que causa a modificação mais severa em nosso ser, que muda segundo a segundo com o resto do Cosmo. Mas não devemos nos esquecer de que quem falece renasce noutro lugar e noutra coisa, convertendo-se no fruto dos atos que ele mesmo e o resto da humanidade fomos consumando ao longo da vida. Por isso, você deve superar suas aflições e fazer com determinação o que as pessoas que ainda estão neste mundo esperam de você." p.343

"[...] No Ocidente, vocês carecem de pilares para sustentar relações de compromisso verdadeiras. São educados na realização a partir de individualidade, potencializando a competitividade e o êxito como grande meio de alcançar a felicidade. Sempre necessitam mais e, ao mesmo tempo, permanecem vazios por dentro. Por isso, quando algo se frustra, como nesse caso com a doença (e morte) de um ser querido, cai por terra aquilo que conseguiram ilusoriamente com sua busca egoísta." p.405

"[...] O amor e a entrega aos que nos rodeiam nos tornam livres, nos permitem prescindir de nossas atuaduras pessoais e superar nossas limitações. A nossa existência deixa de ser finita, já que permanece nas pessoas que amamos." p.406

Quero agradecer à minha filha amada, aos amigos e colegas que estiveram ao meu lado, agradeço os abraços, as mensagens de solidariedade, agradeço a presença no Francisco de Paula, agradeço as lembranças boas que guardam de Dona Therezinha.

Mãezinha, FELIZ ANIVERSÁRIO, seja lá onde estiver, com quem estiver, siga seu caminho de luz e deixe de se preocupar conosco, saberemos utilizar seu exemplo e a educação que nos deu. Beijos com saudades.

Sua filha

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

DE CUBA, COM CARINHO


Yoani Sánchez escreve um dos blogs mais visitados do mundo, Generación Y, com vários milhões de acessos mensais, mas quase não consegue ser lida em Cuba, onde mora com seu marido Reinaldo Escobar e seu filho adolescente Teo.
Yoani relata com humor azedo as diversas experiências que vivencia com sua família numa Cuba destruida, com seu sistema em colapso e prestes a desabar no quintal estadunidense com a morte do velho comandante.
Muitas das reclamações de Yoani são perfeitamente compreensíveis. No entanto vejo a ilusão bailando ao som da salsa em suas palavras. Para Yoani (ou melhor) para o seu marido, o governo do Batista não era tão ruim, pelo contrário, a situação que antecedeu a revolução de Castro era melhor e mais justa... para quem?
Em algumas passagens chego a invejar a cubana Yoani, que tem a quem culpar pela educação deficitária, pela corrupção, pela bandidagem, pela falta de liberdade, pelas carências na saúde, pela falta de emprego, pelo trabalho informal, tudo isso é culpa de Fidel e Raul Castro. Mas e aqui? A quem culpar pela violência, pela corrupção, pela educação de péssima qualidade, pela bandidagem, pela falta de liberdade em andar livremente pelas ruas, ir a um teatro ou cinema? De quem é a culpa?
Fantástica a ilusão de Yoani em acreditar que tudo será melhor após a abertura da politica da Ilha. Espero estar viva para saber o que fará, será candidata ao senado de Cuba? Irá ingressar na política? O que fará Yoani após a morte do velho guerrilheiro?
Nas insinuações de Escobar sobre o desaparecimento de Camilo e Che, na falta de informações do governo ao povo de Cuba, tem-se a nítida impressão partidária nas palavras do jornalista marido de Yoani. Postura claramente direitista, é contra tudo o que se refere à Revolução Cubana, parece que nada se aproveitou e tudo, mas tudo mesmo, é culpa dos Castros.
Não estou colocando "panos quentes" ou "tapando o sol com a peneira". Não posso negar o fracasso em que mergulhou a belíssima Ilha de Fidel. Não posso negar que não houve sensibilidade do velho comandante ao deixar passar a oportunidade de manter a Ilha com os cubanos quando assim foi possível. Não posso negar a teimosia do velho guerrilheiro em manter em mãos o poder. Fazer o que? Mas também não posso anular os feitos e a coragem dos homens que fizeram a Revolução. Não posso aceitar a afirmação de que o governo Batista era justo e melhor (pode até ser que no momento se possa comparar, mas não se pode fechar os olhos para todo o processo revolucionário).
Fiquei muito triste, com raiva e decepcionada. Tenho um profundo amor por Cuba e pelos cubanos. Tinha orgulho em assistir o povo Cubano vencendo a poderosa águia da destruição.
Não é exagero Escobar, ELES são realmente muito perigosos. Aqui no Brasil sentimos na carne o poder DELES, a repressão militar, apoiada e financiada pelos estados unidos, nos custou muito caro. Não se iludam, se cairem novamente nas mãos DELES, com toda a riqueza e potencial que vocês possuem (mão de obra barata, subsídios, belezas naturais e muitas outras) jamais recuperarão a identidade nacional. Serão, como foram outrora, o quintal da Águia.

sábado, 7 de novembro de 2009

O SEQUESTRO DE EDGARDO MORTARA


A obra de David Kertzer é um documento histórico preciso e importante, não só para os amantes da história, mas para o leitor sério que busca o conhecimento necessário para efetuar uma reflexão do seu tempo.

Kertzer nos apresenta um romance envolvente, a narrativa fluente e os fatos devidamente comprovados, com citações de documentos históricos, proporcionam a viagem no tempo da unificação da Itália de meados do século XIX.

Alguns acontecimentos desconhecidos nos fazem repensar afirmações atuais. Descobrimos que há deturpações importantes na história oficial: a estrela de Davi amarela que os judeus eram obrigados a usar nos campos nazistas, já era utilizada pela Igreja muito antes do Séc. XIX e a inquisição não terminou com a Idade Média, o Santo Ofício permaneceu atuante até o início do Século XX.

Entendo que “O Seqüestro de Edgardo Mortara” é obra que deverá integrar qualquer biblioteca comprometida com seu tempo, por ser um documento importante para aqueles que questionam e querem entender o presente.

Para descortinar a origem dos conflitos, das questões sociais e políticas do século XXI é necessário buscar na história da humanidade as respostas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Triologia MILLENNIUM - Stieg Larsson

TRIOLOGIA MILLENNIUM

Um dos maiores êxitos no gênero de mistério dos últimos anos é a triologia Millennium, escrito por Stieg Larsson, jornalista e ativista político muito respeitado na Suécia, que morreu subitamente em 2004. Seus livros não só alcançaram o topo das vendas nos países em que foram lançados (além da própria Suécia – onde uma em cada quatro pessoas leu pelo menos um exemplar da série –, a Alemanha, a Noruega, a Itália, a Dinamarca, a França, a Espanha, a Inglaterra e agora o Brasil), como receberam críticas entusiasmadas.
A obra é a abordagem de duas situações bem definidas: o jornalismo investigativo e o preconceito ainda existente contra a mulher. A mulher escolhida por Larsson é atípica: franzina, com inteligência acima da média, “expert” em informática, completamente tatuada, além de portadora de uma estranheza totalmente incompreensível, porém sedutora. Na Lisbeth Salander o autor conseguiu centralizar um imenso número de mulheres, várias personalidades femininas numa só personagem. A mulher camaleoa, poderosa e frágil (quando apaixonada).
O Jornalismo é quase divinizado na narrativa de Larsson – talvez por sua formação acadêmica – não há, em nenhum dos volumes qualquer crítica à seriedade do jornalismo na Suécia. As soluções para a corrupção, as injustiças sociais e outras patologias humanas, são atribuídas ao jornalismo, com isso lhe é cobrado o comprometimento com o social, com a justiça e o cidadão.
Larsson nos oferece uma leitura lúdica, mas não inócua. Um divertimento instigante numa linguagem fácil que não deixa margem de erro, não há nada a buscar nas entrelinhas. Sua narrativa é direta e objetiva, como num filme policial de qualidade duvidosa. O mérito está na tecedura, na escolha do tema e na sua exploração. Pela primeira vez leio uma obra na qual a mulher é retratada com realidade (apesar do aparente exagero). Todas as mulheres vivem em Salander; de todas as classes sociais, de todas as crenças, de todas as opções sexuais, as mulheres exploradas e as exploradoras.

São três volumes: Os homens que não amavam as mulheres, A menina que brincava com fogo e A Rainha do Castelo de Ar. O que mais gostei foi o último, onde o autor se esmera na técnica narrativa e consegue prender nosso interesse em cada página das mais de 600 que o livro possui.
Indico a leitura sem medo de errar, tenho certeza que todos gostarão de viver as aventuras (e desventuras) desses dois personagens apaixonantes.