domingo, 13 de abril de 2008

O CLUBE DUMAS, Arturo Pérez-Reverte

NOTA em 26/06/2008
Um amigo muito querido, Flávio, me deu a dica do filme:
vale a pena conferir. O Blog está nos meus "Blogs favoritos"
Fiquei fascinada com a leitura da obra de Pérez-Reverte. Numa narrativa instigante e esclarecedora, o autor tece a trama, recheada de suspense, fascínio e lirismo. Aqueles que amam a leitura, que preservam seus livros, que dão prioridade à aquisição de bons autores, vão se apaixonar pela narrativa elaborada de Arturo Pérez-Reverte.

Transcrevo aqui a resenha de Luciana Fátima, que considero excelente para a indicação dessa leitura fantástica.

"Este livro trata da história de dois outros livros. O primeiro, o manuscrito de um capítulo de Os Três Mosqueteiros, escrito pelo próprio Dumas e por um de seus ajudantes, que até tentou – inutilmente – provar que criava as histórias do famoso escritor. O segundo, o Livro das Nove Portas do Reino das Sombras, uma espécie de manual para invocar o diabo, que levou seu impressor – Aristide Torchia – à fogueira, por volta do século XVII, e que ficou perdido durante muito tempo.Qual a relação entre os dois volumes? Aparentemente nenhuma, a não ser por um especialista em livros que tenta investigar a autenticidade de ambos os escritos. Lucas Corso "era um mercenário da bibliofilia, um caçador de livros por conta de outros. Isso inclui os dedos sujos e o verbo fácil, bons reflexos, paciência e muita sorte. Também uma memória prodigiosa, capaz de recordar em que canto poeirento de um sebo dorme aquele exemplar pelo qual pagam uma fortuna. Sua clientela era seleta e reduzida [...]; aristocratas do incunábulo, para os quais pergaminho em lugar de velino, ou três centímetros a mais da margem da página, supõem milhares de dólares. Chacais de Gutenberg, piranhas das feiras de antigüidades, sanguessugas de leilões, são capazes de vender a mãe por uma edição príncipe."Ocorre que durante a investigação, muita coisa estranha começa a acontecer. Pessoas inocentes são assassinadas, e até uma (segundo ela) enviada do diabo cruza o caminho de Corso, para seduzi-lo e protegê-lo. Tudo fica ainda mais complicado quando todos começam a agir como se estivessem interpretando papéis do romance Os Três Mosqueteiros. Esta perigosa aventura, de tão exóticas personagens, leva o leitor para o mundo dos livros raros e das loucuras que os bibliófilos podem cometer na busca de um incunábulo ou de um livro proibido."O Clube Dumas", de Arturo Pérez-Reverte, é uma publicação da Editora Martins Fontes. "
Luciana Fátima

(Luciana Fátima é formada em Comunicação Social, com habilitação em Produção Editorial e pós-graduada em Língua Portuguesa e Literatura. Já publicou artigos em antologias e escreve ainda para sites como GargantadaSerpente.com e www.leialivro.sp.gov.br)

REINE SOBRE MIM


Um filme contundente, um drama sério e muito bem estruturado que nos faz refletir, aproximando-nos da triste realidade dos sobreviventes do atentado de 11 de setembro.

Adam Sandler, na sua interpretação sóbria e forte, conquista, definitivamente, a minha admiração e respeito. Sem dúvida um ator que, na sua simplicidade vai conquistando as platéias de todo o Mundo.

Preso na angústia e na solidão depois de perder a família no atentado terrorista de 11 de setembro, Charlie Fineman (Adam Sandler) reencontra por acaso seu antigo colega de quarto dos tempos da faculdade, Alan Johnson (Don Cheadle), e passa a resgatar bons momentos de sua vida. Nas ruas de Nova York, o órfão tenta se recuperar da tragédia durante os encontros com o velho amigo e seu passado esquecido.

Elenco:
Adam Sandler
Don Cheadle
Jada Pinkett Smith
Liv Tyler
Saffron Burrows
Cicely Tyson
Robert Klein
Melinda Dillon
Camille LaChe Smith
Mike Binder
Ted Raimi
Direção:
Mike Binder
Produção:
Jack Binder
Michael Rotenberg
Fotografia:
Russ T. Alsobrook
Trilha Sonora:
Rolfe Kent

domingo, 30 de março de 2008

OLHE PARA OS DOIS LADOS

Drama romântico fala de luto com a delicadeza de um elefante (cor-de-rosa)
17/05/2007Marcelo Hessel

Olhe para os dois lados (Look both ways, 2005) é uma mistura de drama com romance que trata de luto. Luto não só pelos que já foram, mas também pelos que ainda morrerão. A produção australiana escrita e dirigida por Sarah Watt trabalha essa premissa funesta com a delicadeza de um elefante - cor-de-rosa.

Meryl (Justine Clarke) está voltando para casa em Adelaide depois do funeral de seu pai. Ela é pintora. Quando Meryl atravessa a rua, o filme muda sem aviso, por um segundo apenas, para uma animação da moça sendo atropelada. Em seguida Meryl anda ao lado da linha do trem. A animação entra de novo, agora mostrando um descarrilhamento fatal. Passado o estranhamento, percebemos que se trata de um fluxo de consciência fatalista. A pintora fica imaginando a cada minuto como o mundo ao seu redor pode matá-la.

Nick (William McInnes), fotógrafo viajado, também vê a morte por todo lado - especialmente depois que descobre ter um câncer fulminante. O luto de Nick, como o de Meryl, também é apresentado a nós em forma de imagens. Se alguém fuma ao seu lado, o fotógrafo imagina as células cancerígenas se multiplicando no pulmão do sujeito... Claro que esses dois personagens vão se conhecer e, com tanta coisa em comum, vão se apaixonar.

Em meio a um começo tão "delicado", o momento do encontro dos dois até que tem sua poesia. Nick é chamado pelo jornal local a cobrir um atropelamento de trem. No local do acidente, ele tira uma fotografia belíssima da viúva da vítima, no momento em que ela descobre o ocorrido. Meryl, por acaso, estava passando por ali e assistiu ao acidente - enquanto relata a um repórter a cena, é aí que ela conhece Nick.

Não tem filme mais batido do que dramas românticos em que homem e mulher, com os dias contados, se escoram um no outro em busca de conforto. Se conta a favor de Olhe para os dois lados, Watt não aborda o tema com aquele pesar de telefilme hollywoodiano. O fato de transformar a morte em um misto de banalidade e curiosidade - por meio das animações de Meryl e do "olhar CSI" de Nick - tira do filme todo aquele tom trágico que se poderia esperar. A morte é algo irrecusável, afinal, e o negócio é aproveitar enquanto ela não chega.

De fatalistas, então, Meryl e Nick podem achar um no outro esse senso de oportunidade. Pode ser a idéia que fazemos dos australianos - desencanados, solares - mas Olhe para os dois lados passa mesmo a sensação de que está falando do pior assunto do mundo da maneira mais leve possível.

sexta-feira, 28 de março de 2008

MENINOS EU VI.... e agora posso contar.

Gosto de ficção, tanto no cinema como nas leituras que faço no meu dia-a-dia. Mas existem momentos em que a minha consciência cobra um pouco de realidade. O real me assusta. Na imaginação vivenciei os melhores momentos da minha vida: o amor correspondido, a beleza estonteante, a inteligência a cima da média e todas as virtudes que acreditava possuir e, por isso, exibia para o Mundo.

Com a maturidade, a realidade fica mais poderosa e a fantasia recolhe-se ao âmago de sua insignificância social. Foi assim que, apesar de minha rejeição por autobiografias, fiz a concessão de ler a obra da autoria de Drault Ernanny, MENINOS, EU VI... E AGORA POSSO CONTAR. Trata-se de um relato, nada modesto, de um homem totalmente apaixonado por si e orgulhoso de suas realizações como homem, chefe de família, político e empresário.

Paradoxalmente, tentando ler alguma coisa que impedisse minha viagem pelo caminho da fuga emocional, viajo nos delírios megalomaníacos de um homem morto. Acredito que tenha morrido, já que carregava, nas costas e nas páginas de suas memórias, mais de 80 anos ao publicar o livro.
No entanto, como toda a leitura consciente e crítica, a obra é fascinante. Evitando os abusos do autor nos “eus” e nos elogios despropositados aos “amigos”, incluídos na categoria diversos militares, políticos e matadores da Paraíba, podemos encontrar um relato histórico interessante que, na reflexão efetuada pelo leitor, trará luzes e compreensão para diversos fatos históricos que culminaram com o Brasil que hoje conhecemos.

O autor sequer menciona o período da repressão militar. Têm-se a impressão que, ou ele não participou desse importante momento cívico, ou simplesmente omitiu sua participação nos eventos macabros da época. Só há menção discreta quando recorda as visitas dos generais (Costa e Silva, Geisel e Golbery) à Casa das Pedras, mansão de sua propriedade na Gávea Pequena, no Rio de Janeiro.

Mas terminada a leitura, entende-se que a Revolução Militar foi um mal necessário. POR FAVOR... NÃO PAREM DE LER ESTA CRÔNICA... EXPLICO: Na história deste País, desde José Bonifácio, no Império, os militares exercem o poder. Fatos importantes, decisões críticas, os rumos desta Nação sempre foram manipulados pelas Forças Armadas. Nos bastidores exerciam, com tranqüilidade, o verdadeiro poder, influenciando, mandando e desmandando. Com o golpe, os militares tiveram que colocar os “focinhos” de fora e, com isso, se expuseram à opinão pública nacional e internacional. O golpe foi o suicídio político para os militares que usavam a farda para exercer o poder.

Hoje estamos livres dos “homens de ferro”. Machucados e marcados, mas livres. Alguém já dizia que a conquista da liberdade é dolorosa, mas prazerosa.

Teria ainda alguns outros comentários a fazer, como a construção da Refinaria de Manguinhos, a compra do Recreio dos Bandeirantes, a atuação na garantia da posse do presidente Juscelino, e outros feitos do autor, todos apenas úteis como informação e enaltecimento de seu caráter empreendedor e perspicaz, sempre atento para ganhar muito dinheiro.

Mas a inferência efetuada no aprendizado do processo democrático e a compreensão da necessidade do golpe para nos livrar dos militares, são os verdadeiros ganhos na leitura da obra. Valorizar o Brasil de hoje compreendendo o Brasil de ontem.


Adoro HISTÓRIA.

domingo, 16 de março de 2008

O EXORCISMO DE EMILY ROSE

Fiquei muito tempo afastada, sem internet e iniciando um novo trabalho. Só agora pude atualizar as postagens e relacionar minhas últimas leituras. Infelizmente não tenho tempo para comentar todos os livros que leio, minha atividade leitora é mais rápida que a disponibilidade para escrever, e descrever, os efeitos que as obras causam na minha psique.

No entanto gostaria de comentar um filme que assisti neste final de semana.

Apesar da aparente sugestão de gênero terror - a exemplo do famoso "O Exorcista" - o filme discute, por via do julgamento do padre, as crenças do homem moderno, tanto religiosas como agnósticas.

Na pesquisa que efetuei na internet, encontrei um texto muito bom no blog cujo o enderço é:

http://www.bocadoinferno.com/romepeige/exorcism.html, lá você pode postar suas impressões e críticas.
É um bom filme, mas apresenta algumas deficiências. Como distração vale a pena, para reflexão, deixa poucas alternativas.
Fica registrado.

domingo, 9 de março de 2008

O VIDA SECRETA DAS PALAVRAS

Os filmes que estão preenchendo minha espectativa com relação à sétima arte são poucos, exíguos em relação às diversas películas que tenho assitido. Ontem mesmo "O Último Rei da Escócia" me deixou impressionada com a atuação de Forest Whitaker, que recebeu o Oscar de Melhor Ator pelo papel de Idi Amim. Interessante, principalmente para mim - que acompanhei, na adolescência, a trajetória desse terrível ditador ugandense.

MAS

foi o filme "A VIDA SECRETA DAS PALAVRAS", que tocou no mais profundo de minhas emoções.

a_vida_secreta_das_palavras
direção: Isabel Coixet.

Com Sarah Polley,
Tim Robbins,
Javier Cámara,
Eddie Marsan,
Steven Mackintosh,
Julie Christie, Danny Cunningham, Dean Lennox Kelly, Daniel Mays, Sverre Anker Ousdal.
Filme delicado, mostra que o silêncio - muitas vezes - é a melhor opção para um diálogo profundo. O encontro de Hanna com Josef promove a trégua na rejeição que Hanna tem pelas palavras, nem mesmo sua terapeuta consegue quebrar o silêncio imposto pela paciente.
O amor e a solidariedade, desencadeados pela empatia com Josef (que sofreu um acidente numa plataforma de petróleo) provoca a erupção emocional da mulher ferida e torturada pela guerra.
Não é possível utilizar as palavras para falar do filme. Pesquisei na internet, não encontrei muita coisa sobre a história, nem críticas e muito menos sinopses consistentes. Talvez o silêncio se deva ao desconhecimento pelo homem do segredo que as palavras envolvem, a sua ausência pode ser a melhor reflexão provocada pelo filme.
Destaque para a narração de uma criança - imaginária ou não - que faz as vezes de espectadora da vida de Hanna. Pode ser a própria Hanna ingenua e pura assassinada na guerra, pode ser uma criança que tenha conhecido ou mesmo seja filha de Hanna e tenha morrido quando do cárcere da mãe, enfim... não fica muito clara a sua importância na trama, me parece até um pouco deslocada, aquela voz infantil e meio mágica.
De qualquer forma, vale a pena pegar o filme na locadora. Tenho certeza que vocês vão adorar.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

MINHAS LEITURAS


SOUZA, Percival de. "Autópsia do Medo" - Vida e Morte do delegado Sérgio Paranhos Fleury. É um estudo profundo sobre seu objeto. O campo da pesquisa é a memória de um homem que, baseado no destro uso do medo, levou a cabo uma guerra terrível e vitoriosa contra os inimigos do status quo que representou e defendeu. Mas o temível delegado Fleury aqui revelado não é o monstro desapiedado e óbvio que ele mesmo cultivou como alterego para initmidar a quem interessar pudesse. É o que casou, teve filhos, amigos, nutriu uma paixão avassaladora - e correpondida - por uma mulher da banda inimiga, e que se notabilizou como profissional dedicado, cotidiana e metodicamente aplicado a elaborar o terror em sua mais pura composição. (Sinopse da Editora Globo).

VENTURA, Zuenir. "1968- O Ano que não Terminou - A Aventura de uma geração.

Resultado de um mergulho de dez meses nos jornais e revistas da época, atualizado por dezenas de depoimentos, a obra de Ventura é uma fascinante reconstituição do ano 68 no Brasil - de uma época e de seus heróis, de seus dramas e paixões, de suas lutas e vitórias.

Apesar do rigor histórico com que os acontecimentos são reconstruídos e os personagens revividos, 1968: o ano que não terminou não é propriamente um livro de história. É na verdade o romance sem ficção de uma geração que queria virar o mundo pelo avesso. Zuenir Ventura não produziu um relato passional. Apaixonado, sim, mas não panfletário. Testemunha e parciticpante daqueles tempos de exaltação, Zuenir Ventura faz de 1968 uma reconstituição como até hoje não se havia feito. E seu mergulho naquela geração mostrou-lhe que o melhor legado que ela deixou não está no gesto - muitas vezes desesperado, outras vezes autoritário - mas na paixão com que foi à luta. E esta grande paixão que autor agora nos mostra. Com simpatia, mas sem indulgência.
(Sinopse da Editora Nova Fronteira)

BANVILLE, John. "O Mar".

Não cabe aqui a sinopse, impossível tal empreitada. A obra de Banville é pura poesia em prosa, um livro fascinante, daqueles que sorvemos lentamente, saboreando cada palavra, com medo de chegar às suas últimas páginas. A narrativa é simples. A excelente tradução de Maria Helena Rouanet preserva o valor literário da obra. A identificação do leitor com a narrativa (até mesmo pela simplicidade poética, apesar do seu valor literário incontestável) é fato. Alguns pensamentos do narrador/personagem, algumas reflexões e inferências a respeito da vida, a leitura que efetua do seu mundo, tudo remete à universalidade da obra.

Uma leitura saborosa e profunda, divertida e esclarecedora. Impossível se ater a uma trama narrativa que só empobreceria a indicação da obra. A história de um homem maduro, viúvo da perda recente da esposa, buscando respostas na recriação do passado, as angústias causadas pela proximidade da velhice, nada disso é suficiente para transmitir aos meus amigos o verdadeiro significado da leitura de "O Mar".

Só lendo, só passeando por suas páginas, saboreando as palavras e as reflexões do narrador e personagem para entender minha indicação e encantamento com a obra de Banville, "O Mar".


FISCHER, Tibor. "A Gangue do Pensamento". Consagrado por seu raro talento, Tibor fischer oferece ao leitor brasileiro uma fina iguaria, condimentada com o mais corrosivo humorf, a mais demolidora ironia e a mais inteligente irreverência.

Dois protagonistas forjados por desventuras e ceticismo praticam assaltos a bancos em meio a reflexões e comentários filosóficos - ora citando os expoentes da filosofia ociental, ora questionando o sentido da vida, o poder do dinheiro, a função do homem na natureza e os destinos da humanidade. Sarcástico e instigante do princício ao fim, Fischer faz aqui um magistral uso da linguagem, transformando-a na verdadeira espinha dorsal dessa obra permeada de criatividade e brilho.

(Sinopse da Editora Rocco)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

O BAILE, Um filme de Ettore Scola

Estamos em 1983, em um grande salão de baile construído nos anos 30. As primeiras a chegarem são as mulheres, tipificadas, representando as inúmeras manifestações femininas. Em seguida chegam os imponentes, tímidos ou amedrontados homens.

Personagens que dançam e que, dançando, fazem uma retrospectiva dos principais fatos que têm início nos anos 30 e termina no "fim do Baile" nos anos 80.

Os períodos são destacados por fotos em preto e branco. Nenhuma palavra é dita, toda a leitura é efetuada pela movimentação corporal dos atores. O diálogo corporal é completamente tocante, não há como não se emocionar, sentir profundamente com a narrativa genial do "Baile".

Os períodos históricos vão se desenrolando ao som das músicas e nos movimentos da dança. O cenário não muda, é o salão amplo e bem iluminado onde toda a história se desenrola, ao som de diversos ritmos. Conhecemos então a história da França nos anos 30; a ascensão da classe trabalhadora; a ocupação nazista durante a 2a. Guerra Mundial; a libertação da França pelas forças aliadas; a musicalidade de Glenn Muller; a chegada do Rock n'roll; o movimento estudantil; o brilho estonteante dos anos 70.

É um filme para se assistir inúmeras vezes, pela riqueza de detalhes e pelas sutilezas que desfilam por toda a narrativa.

Premiado com o "César" nas categorias de Melhor Diretor (Ettore Scola), melhor filme e música com o "Urso de Prata" no Festival de Berlim.


IMPERDÍVEL!

sábado, 2 de fevereiro de 2008

FOTOGRAFIA

A fotografia talvez seja a mais democrática das ARTES, apesar de, para alguns, assim não ser considerada, é no "click" da câmara que o olhar do artista é concretizado e socializado. É bem verdade que nem sempre o olhar do observador está devidamente liberado para a ARTE - não só da fotografia como para qualquer outra de suas manifestações - e aí.... azar é de quem olha e não vê!!!

Tenho um amigo, lá das bandas de Varginha, que com um celular faz coisas incríveis. Vou deixar que suas fotos sejam as minhas testemunhas.




quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO



http://br.cinema.yahoo.com/filme/14042/reviews/maisestranhoqueaficcao

Temos, acima, um link onde estão postadas algumas resenhas. Já li todas, mas em nenhuma encontrei a leitura que, de imediato, elaborei na primeira visão do filme. Na verdade só assisti uma vez, logo efetuei minhas inferências e passo a compartilhar com vocês.

A história gira em torno da relação de uma escritora com o personagem de sua última obra. O personagem (Haroldo Crick) é um homem metódico, limitado por regras sociais, contido (evitando a vivência de paixões) com toda a sua vida "sob controle" - um emprego estável, uma casa, poucos amigos e nenhuma "loucura", por mais inocente que seja, um homem invisível.
A Escritora (Kay), uma mulher atormentada, solitária, anárquica, enlouquecida, tem sua existência baseada na paixão, no subjetivo. Esses universos, opostos, se encontram nas páginas de um livro que está sendo escrito por Kay.

Fantasias à parte, a metáfora é fato, muito bem elaborada, apresentada com humor e leveza que permitem ao espectador uma reflexão suave e uma descoberta fantástica.
A medida que Kay vai escrevendo, Harold vai ouvindo a narrativa, a voz de mulher que lhe traça um destino - a morte. Nós, simples mortais, vamos testemunhando as angústias de Harold (que vê toda a sua estrutura desmoronar) e a ansiedade de Kay (que não sabe como matar a personagem).

Terminada a exibição do filme percebemos, extasiados, a mensagem por tras da inusitada história . Harold precisa morrer para viver. Com a constatação da impermanência percebe que precisa viver. Existir não basta, é preciso amar, sofrer, se descabelar, perder o controle (que na verdade nenhum de nós possui). Harold descobre que, agora que está vivendo, deverá deixar de existir, ou uma realidade ou outra, não é possível viver e permanecer invisível.
Kay, a escritora, fumante enlouquecida por conta da dor de criar, percebe que precisa viver, saborear a vida em cada uma de suas nuanças. Abdica do grande sucesso de sua obra prima para viver, percebe então que estava escondida nas páginas de seus livros. Kay se liberda do compromisso de criar, a deusa abre mão do poder para viver.
Em muitos momento, em muitos detalhes, temos mensagens sublineares da mais antiga arte de todos os tempos, a filosofia.

Mais estranho que a ficção é um filme delicado, bem humorado e rico, são diálogos profundos que levam o espectador ao universo da reflexão.

Eu recomendo.




quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

ESTOU DESEMPREGADA

Passei por uma experiência traumática. Após um exaustivo processo seletivo para uma vaga de professor numa escola IMPORTANTE do Rio de Janeiro, após interagir com a equipe por seis meses, deixar meu emprego anterior, programar uma mudança de vida, tanto física como emocional, desestruturar minha família, gastar todos os meus recursos financeiros na organização dessa nova vida, sou SUMARIAMENTE DISPENSADA pela DIRETORIA da ESCOLA, juntamente com os outros dois professores de Língua Portuguesa. As alegações foram distintas, para cada um de nós apresentaram uma motivação diferente. Para mim afirmaram que o GRUPO não conquistou a CONFIANÇA da diretoria.
O que causou muita revolta nos meus amigos e familiares foi o pouco caso na justificativa, ora, se foi o GRUPO a ser dispensado por que fomos comunicados separadamente? Se o GRUPO não atendeu às expectativas o correto, o ético, seria conversar com o GRUPO e não com seus elementos separadamente. Naturalmente o objetivo foi enfraquecer para ludibriar.
Não pude acreditar, desrespeitaram a mim e a minha família, os profissionais que processaram a Seleção, os profissionais que nos escolheram, e mostraram a verdadeira face, a hipocrisia por trás do belo discurso e da utopia.
Fiquei muito triste, a escola é apenas mais uma, num modelo imperialista e sectário, que em nada vai acrescentar ou mudar no panorama da educação no País. Pelo contrário, seu propósito é acentuar as diferenças, seu objetivo é formar a futura liderança do Brasil, moldada pelos parâmetros Estadunidenses.
O importante, para este blog, é compartilhar a forma como superei esse percalço. Foi com o apoio das ARTES, do olhar artístico, que pude afastar a nebulosa que a experiência provocou e VER a verdadeira face do fato.
Minha vida mudou, meus sentimentos amadureceram. Agradeço aos meus algozes por isso, por me libertarem de uma prisão que, mais adiante, traria muitos problemas para mim e minha família. Tenho planos que realizarei aos poucos, alguns já estão bem encaminhados.
Neste espaço quero compartilhar as reflexões e inferências realizadas pelas inúmeras leituras desse período. Os sentimentos e impactos dos diversos filmes que assisti, às peças de teatro, as músicas, as fotografias (tanto amadoras como profissionais), enfim, aqui, neste singelo blog quero dividir, conversar, trocar impressões e sensações sobre ARTE.