segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ALÉM DA VIDA - Clint Eastwood


Além da Vida 2010-05-22 Francisco

título original: (Hereafter)

lançamento: 2010 (EUA)

direção:Clint Eastwood

atores:Matt Damon, Cécile De France, Frankie McLaren, George McLaren.

duração: 129 min

gênero: Drama


status: Em cartaz

Domingo, 16h20, Cinemark botafogo. Acreditávamos, eu e minha filha, que o cinema estaria vazio. Não só pelo tema (de pouco interesse para a média), mas pela concorrência de vários filmes em 3D que estavam em cartaz nas outras salas.

Surpresa – O cinema já estava lotado às 14h45, quando chegamos para almoçar. Conseguimos dois tímidos lugares no cantinho da sala, na 3º. Fila. Perto demais da tela de projeção.

Mesmo assim compramos os ingressos e, na hora certa, ocupamos os nossos lugares.


Clint Eastwood é uma personalidade instigante. Não só pelo resultado do seu trabalho – sempre muito bem recebido pela crítica e pelo público – mas principalmente pela seriedade com que aborda os temas mais delicados da natureza humana. Com 80 anos de idade, sua atuação como diretor ainda é pulsante, jovem e atual. Um homem que acompanha o seu tempo. Com Clint a arte assume a sua verdadeira face; instrumento para reflexão e crescimento pessoal.

Além da Vida é seu último filme. Com a abordagem do parapsiquismo de uma forma isenta e desapaixonada, aponta as crises humanas, as dores existências e as conseqüências das perdas de entes queridos. Tudo sem qualquer “apelação” ou abordagens “piegas”.


O personagem de Matt Damon é um homem que consegue manter contato com conciexis a partir do toque de mãos dos parentes ou amigos que ficaram nesta dimensão intrafísica. Na verdade o personagem não possui um parapsiquismo dos mais sofisticados, é primário e simples, mas mesmo assim lhe proporciona diversos conflitos, consigo mesmo e com as pessoas com as quais interage. Sente-se amaldiçoado e infeliz.

O trabalho de interpretação de Matt Damon é incrível. Sem qualquer subterfúgio o ator passa a tensão e o peso de ser o homem mais procurado do seu grupocarma. Todos querem manter contato com alguém que se foi, o personagem não aceita a sua situação porque, até àquele momento só ganhou dinheiro, não houve qualquer retorno evolutivo.


O menino que interpreta o Marcus, o que perde o irmão gêmeo num acidente de rua, é fantástico na sua representação de dor e solidão.

O encontro do personagem do Matt com a francesa interpretada por Cécile De France, possui todas as características do encontro da dupla evolutiva. Seus olhares se cruzam, quando Marie está autografando o seu livro sobre EQM, e, imediatamente reconhece sua dupla e é reconhecida por ele. A delicadeza do momento foi mantida pela direção impecável de Clint, que teve o cuidado de manter a naturalidade da cena.

Para muitos pode ter sido um filme monótono, com exceção das tomadas do tsunami, não houve utilização de efeitos especiais nas cenas seguintes. O personagem, quando efetuava um contato, ficava diante do “consulente” (se é que se pode nomear assim) e narrava o que lhe era dito pela consciex acessada por seu parapsiquismo. Sem coloridos desnecessários ou visões alucinógenas.

Indico Além da Vida como um filme sério, sem pretensões maiores do que a abordagem pura e simples de parafatos, sem alarde ou sensasionalismo.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

BALANÇO EXISTENCIAL - 2010

Muita coisa mudou desde o segundo semestre do ano passado.

Voltei de Foz do Iguaçu em agosto. Fui para comemorar o meu aniversário numa retomada existencial. Não podia ter sido melhor.

Em contra partida desviei o foco de minhas leituras. Já não tenho tempo para ler os romances e as ficções que tanto me encantaram. Agora preciso estudar.

De lá para cá efetuei diversas leituras, fiz um curso completo e estou praticando as idéias que acessei há mais de dez anos e que, nesse momento tão especial, estou retomando.

As leituras foram efetuadas na ordem em que serão apresentadas:

1 - Autocura pela Reconcialiação - Malú Balona



Uma leitura imprescindível para a autoinvestigação lúcida. Foi-me indicado pelo consciencioterapeuta. Nele é possível encontrar diversas técnicas elucidativas do estágio evolutivo do pesquisador.

Uma só leitura é insuficiente, face à enorme quantidade de valiosas informações.

Foi o primeiro livro que lí desde a permanencia no CEAEC na semana do meu aniversário. Será minha próxima releitura.

Estou ainda num momento de retomada, já conclui o CIP e o primeiro curso do ano será o ECP1.

Indicação importante para quem prioriza a evolução consciencial.


2 - Nossa Evolução - Waldo Vieira, já havia lido, mas resolvi ler mais uma vez. É um livro prático e excelente para quem não conhece as idéias da Conscienciologia e está interessado em acessá-las. Indico para o pesquisador iniciante.

3 - Evolução em Cadeia - Cláudio Costa

Este livro representa uma leitura interessantíssima. O autor, presidiário, expõe com extrema generosidade as dificuldades que enfrenta para promover a autoinvestigação e catalizar a sua evolução.

"Este livro e um retrato raro de como alguem, estando em um carcere, pode impulsionar lucidamente sua evolucao mesmo em condicoes extremamente desfavoraveis, e que opta nao apenas pelo auto-conhecimento,mas tambem pela tarefa de auxilio aos outros." (IIPC)

4 - Viagens Internacionais - Kátoa Arakaki

É uma obra indispensável para todos os viajantes. Além de ser um manual de viagem com dicas, técnicas, roteiros e pontos turísticos de vários locais do mundo, é também um manual de autopesquisa, pois, viajar não é somente deslocar-se de um lugar para o outro. Pode ser oportunidade para ir de encontro a si mesmo.

Partindo desse pressuposto e utilizando linguagem pragmática a psicóloga Kátia Arakaki direciona o leitor a refletir sobre as relações do mundo íntimo pessoal com o universo exterior e incentiva a ultrapassagem das fronteiras geográficas como primeiro passo para o rompimento de qualquer fronteira ou limites pessoais. O resultado é uma obra útil que favorece a ampliação do senso universalista do leitor-viajante

5 - Manual da Tenepes - Waldo Vieira - Também releitura, já tenho como meta de médio prazo (6 meses) iniciar a minha prática da Tenepes.

Não vou explicar o que seja, se você tiver interessado, compre o NOSSA EVOLUÇÃO. Se você já conhece a Conscienciologia e a Projeciologia, então busque o IIPC no Rio ou em qualquer estado e busque as informações. É importante que você promova a sua investigação.

Os demais livros que busquei nesse periodo são obras voltadas para a pesquisa, livros de leitura permanente, artigos, cursos que frequentei, enfim, meu tempo está completamente comprometido pela minha autoinvestigação evolutiva.

Com este post encerro o exercício de 2010.

2011 será um ano diferente, produtivo consciencialmente. Continuarei postanto minhas leituras e os filmes que mereçam ser comentados.

Desejo a todos os meus leitores um ano de muita evolução, carregado de energias mágnas assistenciais.

"Não acredite em nada nem mesmo no informado pela Conscienciologia, experimente, tenha suas experiências pessoais"

http://www.iipc.org.br

terça-feira, 14 de setembro de 2010

CURRÍCULO

ANÁLIA DE OLIVEIRA MAIA

Brasileira, solteira,

Rua General Glicério, 58/104 Laranjeiras

22245-120, Rio de Janeiro – RJ

Residência: 3546-2942 / Celular: 9310-7840

anaolimaia@yahoo.com.br




OBJETIVO


Atuar no Ensino médio e/ou na graduação de letras, lecionando redação, literaturas brasileira, portuguesa, africana de língua portuguesa e teoria da literatura.


FORMAÇÃO


Graduação

LETRAS – UNIS – Centro Universitário do Sul de Minas (dez/2001)

Direito – UFF – Universidade Federal Fluminense (dez/1974)


Pós-graduação – Especialização

Informática na Educação – Universidade Federal de Lavras (MG) (2002)

Direito Privado – UFF – Universidade Federal Fluminense (1997)


Cursos Complementares

Extensão universitária em Formação de Tutores de ensino a distancia (340h)

Extensão universitária em Ambientes Virtuais de Aprendizagem – Novas Ferramentas para EaD (40h)


HISTÓRICO PROFISSIONAL


Escola SESC de Ensino Médio – 2007

Consultoria Pedagógica – Elaboração do Projeto Pedagógico para o ano letivo de 2008


ITEC – Instituto Tereza Coutinho – fevereiro/2005 a dezembro/2006

Ensino Médio – Redação e Literatura


Colégio Evolução – fevereiro/2005 a dezembro/2006

Ensino Médio – Redação e Literatura


UNIS – Centro Universitário do Sul de Minas – de fevereiro/2004 a dezembro/2004


Projeto VEREDAS – Curso Normal a Distância – Iniciativa da Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais – extensiva à rede pública estadual e municipal (2002/2004) Varginha (MG)


Sistema ANGLO de Ensino (Colégio Cetem de Varginha)

Literatura e Redação - 2000 até 2004


Colégio Objetivo de Lambari (MG)

2001 até 2003


Colégio Etapa Sapiens de Varginha (MG

Literatura e Redação - 1999


TRABALHOS ACADÊMICOS


Publicação do TCC – UFLA – no site:

www.rxmartins.pro.br/tecduc/mono-analia.pdf


Revista Interação – UNIS/MG

Revista Acadêmica do UNIS – Título: “Síndrome do Estrangeiro – Uma leitura das personagens Joana e Lori de Clarice Lispector”. (2002) – Varginha (MG)


USP – Menção Honrosa – Trabalho: “Síndrome do Estrangeiro – Uma leitura das Personagens Joana e Lori de Clarice Lispector”

Orientadora: Dra. Aparecida Maria Nunes


PRINCIPAIS REALIZAÇÕES


Palestras acadêmicas ministradas em todo o Sul do Estado de Minas Gerais:

O universo da Narrativa em prosa, verso e imagem

O trabalho com a Poesia

A Formação do Leitor

Matrix – Uma Leitura do Mito da Caverna de Platão


UNIARTE – Criação do Grupo de Teatro Universitário e montagem de peças adaptadas de clássicos da literatura brasileira e portuguesa:

Abapuru – Aquele que come

João e Maria no País da Poesia

Auto da Barca do Inferno

A palhaça Margarida apresenta: Um circo literário

O Rei da Vela

Episódio Inês de Castro – Um drama português

Fernando por pessoas – a poesia de Fernando Pessoa


IDIOMAS

Francês e Espanhol - Básicos


domingo, 15 de agosto de 2010

O VERMELHO E O NEGRO


Há, pelo menos, 30 anos li a obra de Stendhal “O VERMELHO E O NEGRO”. Cansada da literatura atual, optei por reler os clássicos universais. Como escrevi no post anterior, iniciei com “CRIME E CASTIGO”.
Hoje terminei a leitura de Stendhal. Definitivamente o livro não era o mesmo, a história completamente diferente e a personagem, Julien Sorel, uma surpresa.

Lembro-me da antipatia que ele me despertou na primeira leitura, da desconfiança que tinha do seu caráter. Não entendi Julien, mas agora, na maturidade, posso compreendê-lo e a antipatia se esvaeceu na reflexão e no impacto que sua personalidade me causou.

A leitura é encantadora, o autor, em suas digressões (que lembram Machado), nos inclui na elaboração da narrativa: justificativas, esclarecimentos e até desculpas nos são dirigidas em alguns parágrafos.

Selecionei algumas passagens, mais pela identificação que logrei com estas do que pela preocupação em transmitir, aos meus leitores, o que quer que seja. Das escolhidas, vou transcrever poucas, para não cansa-los e para não furtar-lhes o prazer da leitura.

STENDHAL (Marie-Henry Beyle)

DE JULIEN, na prisão, pois só aí se vê diante de si e identifica-se enquanto homem-provinciano-especial-único:

Diante da morte:

“[...] Palavra, se eu encontrar o Deus dos cristãos, estou perdido: é um déspota e, como tal é cheio de idéias de vingança; sua Bíblia só fala de punições atrozes. Nunca o amei; nunca quis mesmo acreditar que o amassem sinceramente. Ele não tem piedade.”

Ainda no calabouço, quando consegue se definir:

“[...] Não se conhecem as nascentes do Nilo [...] não foi dado aos olhos do homem ver o rei dos rios em estado de simples córrego; assim também nenhum ser humano verá Julien fraco, e antes de tudo porque ele não o é. Mas eu tenho um coração fácil de comover; a mais simples palavra, se for dita com um acento verdadeiro, pode enternecer minha voz e mesmo fazer correrem minhas lágrimas.”

Escolhi duas digressões metalingüística de importância para os leitores conscientes:

“[...] Senhores, um romance é um espelho que é levado por uma grande estrada. Umas vezes ele reflete aos vossos olhos o azul dos céus, e outras a lama da estrada. E ao homem que carrega o espelho nas costas vós acusareis de imoral! O espelho reflete a lama e vós acusais o espelho! Acusai antes a estrada em que está o lodaçal, e mais ainda o inspetor das estradas que deixa a água estagnar-se e formar-se o charco.”

Numa digressão onde o autor conversa com o editor que lhe cobra a transcrição de uma conversa política e responde:

“[...] A política – respondeu o autor – é uma pedra amarrada ao pescoço da literatura, e que em menos de seis meses a submerge. A política no meio dos interesses da imaginação é como um tiro no meio de um concerto. É um ruído que é cruel sem ser enérgico. Não harmoniza com o som de nenhum instrumento. Essa política irá ofender mortamente metade dos leitores, e aborrecer a outra, que a viu de uma forma muito mais interessante e energia nos jornais da amanhã...”.

Pois bem, concordo completamente com o autor, um homem complexo e incompreendido em sua época, que foi obrigado a escrever pouco posto que necessitasse sobreviver, trabalhar.

Julien só mergulhou em si após a prisão, na solidão do cárcere identificou sua verdadeira natureza e alcançou o estado de felicidade, até então impossível para o pobre provinciano filho de um carpinteiro.

Conforme atesta a digressão metafórica do espelho, Stendhal não esconde a vileza, a imoralidade e a hipocrisia da época e, de hoje, que reinam absolutas nas mais diversas sociedades humanas.

Espero viver o bastante para reler obras dessa natureza, para identificar-me na leitura madura de livros já lidos há tempos passados.

domingo, 8 de agosto de 2010

CLASSICOS DA LITERATURA

Estou num momento muitos especial. Nem sei dizer porque especial... talvez caótico seja o adjetivo mais adequado. Mas isso não importa, o que interessa aqui, para este blog é que decidi reler os clássicos internacionais que marcaram tanto a minha juventude.
Dei preferência por aqueles mais distantes da minha memória. Iniciei com "CRIME E CASTIGO" de Dostoiévski. Incrível como a obra literária se modifica pela atuação do leitor. Não foi a mesma leitura que efetuei há mais de trinta anos, não foi a história de um rapaz aterrorizado por sua realidade imutável, foi além, foi experiência de reflexão profunda, de tirar o sono. A leitura se aproximou mais de uma abordagem filósofica desta vez. Na primeira leitura era tão jovem, havia tão pouco na minha bagagem de vida. Não possuia referências existenciais para ler nas entrelinhas.
Valeu as noites insones.
Agora estou lendo "O VERMELHO E O NEGRO" de Stendhal. Na época me pareceu um romance de amor, a paixão de um campones por uma dama da sociedade francesa, provinciana e inocente paixão. Mas agora.... a leitura mudou de tom, suas cores ficaram mais acentuadas. Estou na metade do livro.
Enfim, continuarei por aí.

sábado, 26 de junho de 2010

A PROCURA DE ÉRIC

Comédia dramática mostra o jogador francês sob o ponto de vista de um fã.


Não gosto de escrever o enredo, parece que deixamos o melhor fora do prazer que o filme nos proporciona. Por isso não vou contar a história. Mas posso adiantar que o ator que interpreta o grande jogador francês que brilhou no Manchester United nos anos 90, é ele mesmo, sim, o ícone do futebol inglês, Eric Daniel Pierre Cantona, ou o REI ERIC.

O outro Eric, o Carteiro, está afundando numa depressão profunda com a maturidade. Sofre da Sindrome do Pânico desde jovem (sem conhecer a doença). Isso leva o rapaz a cometer inúmeros erros.


A história segue o seu ritmo, entre os cigarros de maconha que fuma vai vivendo uma vida terrível, sem qualquer controle. Mas durante o "barato" ele tem conversas fantásticas com o grande Rei Eric, o jogador de futebol que é como um ídolo para o personagem.


O filme é delicado, sem qualquer sofisticação, parece até um documentário, um filme caseiro. Mas é de uma sensibilidade e comicidade incríveis.


Em diversos momentos nos identificamos com o personagem do Eric Carteiro; sua dificuldade de dizer não aos filhos, o medo de enfrentar o passado.

Algumas frases são decidiamente antológicas, como, por exemplo, quando o Rei Eric diz para o Eric Carteiro que as lembranças boas são as mais dolorosas. Outra frase, que o jogador diz numa entrevista é: "Quando as gaivotas seguem o barco dos pescadores, é porque pensam que as sardinhas serão atiradas ao mar".



AMIZADE: É a base do filme. São os amigos que tentam trazer o Eric à vida, tentam fazê-lo rir, insistem para que ele os acompanhe no futebol (paixão que os une). Os amigos se unem para livra-lo de uma "roubada" criada por um dos enteados. Quem tem amigos jamais morrerá só. Amigos são a base de uma vida sadia e alegre.

Tudo isso é colocado sem melodramaticidade, a busca da semelhança com a vida de qualquer pessoa comum, em cada um deles o espectador poderá identificar um amigo de seu circulo pessoal.

EM ÉPOCA DE COPA NADA MELHOR DO QUE ASSISTIR "A PROCURA DE ERIC"

sábado, 19 de junho de 2010

A MAIOR FLOR DO MUNDO

http://flocos.tv/curta/a-flor-mais-grande-do-mundo/

A sara do mago (Saramago)

esta lágrima, vertida sentidamente,
embarga a voz,
todas as lembranças…

no sentir,
nos caminhos de tantas andanças,
fica a memória,
a história

tantas mudanças…

ESTE TEXTO É DE AUTORIA DO MEU GRANDE AMIGO DE ALÉM MAR, JOÃO VIDEIRA

SANTOS, CUJO O BLOG PODE SER APRECIADO NO LINK

http://joaovideirasantos.blogspot.com/

sexta-feira, 18 de junho de 2010

MORREU SARAMAGO


e com ele vai mais um pedaço de mim.


Ah! pedaços de mim....


espalhados pelo tempo, pela estrada há tanto percorrida,

dores, sonhos, deixados pelo caminho,

solidão.


Com Saramago uma parte de meu sentir se vai,

na sua imagem querida, nas palavras elaboradas e colocadas com esmero no texto.


Nunca mais um lançamento,

silêncio nas prensas, no prelo,

silêncio em meu coração.


Resta o já escrito, talvez, com sorte,

alguma obra póstuma,

novo pensar, inédita visão de Mundo.


Mais um interlocutor que se vai.


Meu amado Saramago!

domingo, 6 de junho de 2010

NÃO MORRA ANTES DE MORRER

“As revoluções são idealizadas por utópicos, realizadas por fanáticos e exploradas por patifes.” (Thomas Carlyle)

“Não Morra antes de Morrer”, romance do russo Yevgeny Yevtushenko, trata com lirismo, próprio do conhecido poeta e “prosador estreiante” como se autodenomina, da transição da URSS para a RÚSSIA, do comunismo para a democracia, da substituição da bandeira vermelha pela tricolor russa. Mesclando personagens reais no cenário recente da tentativa de golpe contra a democracia em agosto de 1991 e atores fictícios, Yevtushenko divulga a alma desse povo único, carente da maturidade autosuficiente, característica dos povos ocidentais mais avançados. Ele mesmo integra o elenco dessa narrativa que nos prende desde as primeiras páginas. Um documento histórico desfilado ainda no frescor dos fatos por uma testemunha ocular. Magnífico.

A narrativa em suas quase 500 páginas é completamente poética, construções frasais carregadas de emoção conseguem levar o leitor ao sentimento do povo russo, suas angústias e medos.

Para aqueles que gostam de “Viajar” nas páginas de um livro, “Não morra antes de Morrer” é leitura obrigatória.

Poético e épico ao mesmo tempo, o romance de Yevtushenko narra desde as lembranças políticas e pessoais do autor até uma visão de mundo confusa e ainda misteriosa diante da transição de um país agonizante para uma ainda recém nascida e insegura Rússia democrata.

A obra deste poeta, romancista e ativista russo é documental, traça um retrato fiel da nova Rússia. Nela o autor descreve os três dias que chocaram o mundo, na tentativa de golpe de Estado em agosto de 91pelo antigo regime comunista.
Finalmente, inferi que a morte ainda em vida se dá quando se perde a capacidade de amar. Amor universal e irrestrito pela humanidade. Entendo que daí vem o título. Também pode-se apreender que a morte da URSS foi ainda em vida, quando seus alicerces já estavam apodrecidos e seus ideias revolucionario perdido na corrupção e ignorância de seus comandantes.

Yevgeny Yevtushenko

Escritor e líder soviético da geração dos poetas da era pós-Estaline que descende de ucranianos exilados na Sibéria, nascido em 1933. Afirmou-se como defensor da liberdade artística e de uma literatura liberta das bandeiras políticas. A sua poesia começou a ser reconhecida após a morte de Estaline. Escreveu também vários romances. A sua autobiografia foi publicada em Paris em 1963.

sábado, 29 de maio de 2010

HIGIENE DO ASSASSINO

Um romance de diálogos ou uma peça de teatro?

A narrativa metalingüística de “Higiene do Assassino” pode ser utilizada como uma dramaturgia (carente de técnica específica), porém com uma temática instigante, com uma intensidade lingüística capaz de produzir um profundo soco no estomago.

O escritor personagem, Pretextat Tach, promove, nos diálogos com os jornalistas que tentam entrevistar o Prêmio Nobel da Literatura, uma verdadeira aula de linguagem. A crítica que faz contra os “pseudoleitores”, se referindo aos leitores que dizem ler sem ler. O desprezo pela mediocridade arrogante dos intelectuais de salão fica clara no texto abaixo transcrito, que nos dá a verdadeira dimensão de sua descrença:


“ [...] há um punhado de desocupados, vegetarianos, críticos novatos, estudantes masoquistas ou ainda curiosos que chegam ao ponto de ler os livros que compram.[...] quando eu lhe dizia que liam sem ler! Posso me permitir escrever as verdades mais arriscadas, todos sempre irão ver nelas metáforas. Isso nada tem de surpreendente: o pseudoleitor, encouraçado no seu escafandro, passa de forma totalmente impermeável através de minhas frases mais sangrentas. De tempos em tempos, exclama, encantado: ‘Que belo símbolo!’ Éo que se chama leitura limpa. Uma invenção maravilhosa, muito agradável de se pratircar na cama antes de adormecer; acalma e nem sequer suja os lençóis.”

Há ainda citações de grandes autores, crenças filosóficas totalmente inéditas, o burlesco, a psicopatia, enfim, uma leitura perigosa que merece cuidado. Amélie Nothomb, uma jovem escritora belga, é impiedosa com as palavras, em suas mãos a “pluma” adquiri força de uma arma letal. Talentosa, criativa e totalmente fora do “lugar comum”, Amélie merece ser lida pelos verdadeiros leitores, mesmo que sejam poucos.

Acredito que tornando sua as palavras impiedosas de Tach, a autora quer dar um grito de protesto contra as leituras equivocadas e a favor do respeito aos artistas das letras.


Amélie Nothomb (Kobe, Japão, 1967) é uma escritora belga.
Passou a infância e a adolescência no Extremo-Oriente, em particular no seu país natal e na China. Profundamente marcada pelo Japão, onde o seu pai foi embaixador, fala fluentemente japonês e foi intérprete em Tóquio. «Grafómana», como se define a si própria, escreve desde sempre. Em 1992, com 25 anos, fez a sua entrada no mundo das letras, sendo hoje uma das figuras mais mediáticas da cena literária francesa. Tem nacionalidade belga e vive normalmente em Bruxelas.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

CAIM




"Caim é o que nasceu para ver o inenarrável, Caim é o que odeia deus”.

É o que diz SARAMAGO no livro "Caim", que ganhei de presente antecipado pelo dia das mães. Minha filha não aguenta esperar! Como sou apaixonada pelo prêmio Nobel português, já li e adorei! Dei boas risadas... O humor do autor e ácido, mas inteligente.

Coerente com suas idéias em o "evangelho segundo jesus cristo", Saramago deixa claro seu ateísmo e sua lógica ao criticar deus, suas decisões e seu narcisismo.

A narrativa lembra um pouco o enredo de Lost. A propósito, minha filha me deu - também antecipadamente - de presente os dvds da primeira temporada do seriado que pretendo assistir novamente após o encerramento do ultimo episódio no dia 25 deste mês.




Mas voltando a Saramago e o seu Caim, passeia este último pelo tempo e nos serve de cicerone pelas páginas da bíblia, que segundo o autor: “[...] À Bíblia eu chamaria antes um manual de maus costumes. Não conheço nenhum outro livro em que se mate tanto, em que a crueldade seja norma de comportamento e ato quase natural."


No entanto não aconselho a leitura aos fervorosos crentes, acredito que ficarão revoltados e odiarão o autor. Mas os menos comprometidos com crenças tradicionais poderão ler e buscar, pela reflexão, a lógica da narrativa.

Para mim foi excelente leitura, como ocorre sempre com a produção de José Saramago.

domingo, 25 de abril de 2010

A FERRO E FOGO e O DILÚVIO (cinco volumes)

A Ferro e Fogo, volumes 1 e 2, representa a primeira Parte da Triologia de Henryk Sienkiewicz sobre as Guerras da República Polonesa no século XVII, seguida pelos três volumes de O Dilúvio, continuação e Segunda Parte da Triologia sobre as terríveis guerras travadas por Poloneses, Ucranianos, Lituanos, Tártaros, Suecos, Alemães, enfim, os vizinhos da pequena grande Polônia.







Henryk Sienkiewicz é prêmio nobel de Literatura de 1905 com "QUO VADIS", autor de narrativa fluente e entusiasmada, permeia as atrocidades da guerra corpo a corpo com o humor delicado e ingênuo, próprio da época. Há também uma linda história de amor, ao estilo dos cavaleiros da Idade Média.


Os personagens, na maioria, são reais. Pesquisei na internet e pude comprovar a sua veracidade. No entanto trata-se de romance histórico, com toques de fantásticos e narrativas mirabulantes. Com as peripécias próprias do romantismo de primeira fase, nacionalismo, honra e amor à Pátria.



Vale a pena ler. Eu indico sem medo.


Devo pedir desculpas, precisarei me afastar para dedicação exclusiva à pesquisa científica. Terei que deixar minhas leituras de lazer para mergulhar em buscas e leituras técnicas. Mas logo que puder voltarei, ou não, nunca se sabe o que haverá após a próxima curva da estrada.
Amo vocês e agradeço o carinho que me dedicaram nestes dois, quase três, anos de contato virtual.

segunda-feira, 5 de abril de 2010


Lembro com saudades dos tempos passados quando escrevia compulsivamente em resposta a todos os sentir da Vida.
Cristina é assim. Menina escritora. Compulsiva no seu dialogar com o Mundo. Vejo-me nela, compassiva no seu penar de artista, pulsando junto à Gáia no ritmo da criação.

Procuro dar-lhe respaldo na sua produção literária existencial.

Qual não foi a minha surpresa ao receber o texto abaixo. Resultado desse encontro antigo com o mais recente fruto de Gáia com o deus homem, somos eu e ela. Mãe e filha cósmica?


Leiam o poema de Cristina Lima e tirem as suas conclusões.

PERDIDA
Cristina Lima


Perdida, estou perdida.
Não é apenas sobre achar o caminho,
É sobre achar a mim mesma,

Olho para trás, vejo tantas de mim.
Olho para dentro... Quem sou?
Shakespeariano isso... “Ser ou não ser”.
O futuro acena da densa névoa, mal posso ver...

Cheguei ao limite,
Sinto paixão, ciúmes, raiva, ansiedade...
Diante de mim um abismo,
Não é a morte, não é o fim, tampouco o começo.

Apareceu na minha vida uma mulher,
Cheia de paradoxos,
Antagônica, convexa e cônica,
De pensamentos em dégradé, esmaecendo na realidade.

Os cabelos de Anália mudam do cinza à púrpura;
Tinge os fios como tinge a vida;
A hora que bem entende!

Eu a olho; Eu me vejo;
Histórias diferentes? Nunca fomos apresentadas.
Sofrimentos empurrados para trás dos cabides,
Eis o mostro do armário;
Joga um beijo pra morte: Hoje não meu bem...
Ainda não...

Quando ela passa, observo,
Sou eu não sou?
Estou perdida de mim...
Logo no sacolejar da cabeça:
Ela é ela! Eu sou eu!

Sua imagem torna-se clara,
A névoa dá uma trégua,
E acena pra mim...

sexta-feira, 2 de abril de 2010

TEMPOS DE PAZ

Preciso escrever.

Desde que aprendi o ofício de me fazer entender pela linguagem escrita, ainda em tenra idade, utilizo-a para externar minhas emoções. É com ela, através dela, da língua escrita, que entendo meu pranto, meu espanto, a dor que faz meu coração doer, ocupando o espaço além do permitido pela anatomia humana dentro do meu peito. A dor que sinto neste momento que me obriga a escrever com as lágrimas ainda saltando de meus olhos já tão doloridos.
O filme me foi indicado pelo dono na locadora. Ele sempre sabe do que vou gostar. Cheguei, depois de um dia de trabalho e chuva em seu estabelecimento e perguntei o que havia de bom para o feriado. Respondeu sorrindo que tinha a certeza que eu gostaria muito de “Tempos de Paz”, filme de Daniel Filho com Tony Ramos e Dan Stulbach (que ator!!!!). Desnecessário falar do Tony Ramos. Como pode um ator saltar impunemente de uma comédia “Se eu fosse Você”, numa interpretação primorosa, para um filme como “Tempo de Paz”? Só com talento, isso é certo.

“Tempo de Paz” trata com delicadeza e muita arte das minhas duas paixões: a língua e o teatro. Portanto é um filme metalingüístico, sensível que provoca o que há de mais profundo no ser humano, a compaixão.


O Dan interpreta um imigrante polonês que precisa convencer o funcionário da Alfândega (Tony Ramos) de que deve ficar no Brasil. Para tanto é desafiado a provocar no homem que está com sua vida nas mãos – um torturador frio e sofrido – as lágrimas da emoção. Daí em diante o filme depende do espectador, da sua sensibilidade e capacidade de se deixar penetrar pelo texto, pela emoção e implodir em prantos. Pelo menos foi o que aconteceu comigo.

Que filme!

Há muito não vivenciava essa catarse. A última vez de que me lembro foi com a cena do Tom Hanks vivendo o aidético que, ao som de Maria Calas, dança e diz o monólogo que lhe deu o Oscar.

Mas “Tempo de Paz” é brasileiro, fala do Brasil nos anos 40, o texto é primoroso, os diálogos entre os dois protagonistas (maior parte do filme) tocam profundamente na alma brasileira.

Preciso dar mais atenção ao cinema brasileiro. Com o personagem Clausewitz, aprendi muito sobre mim, se o que sei fazer é (...) como vou fazer outra coisa? Se há ou não espaço para o que faço paciência, mas é o que faço e o que me faz Feliz.